segunda-feira, 19 de outubro de 2009

facadinhas de amor

arrepio-me sempre que ouço alguém dizer "se brinco contigo é porque gosto de ti" ou "só sou duro(a) com as pessoas de quem gosto" ou, depois de terem sido desagradáveis, "estava só a brincar"...
a sério que me sei rir de mim própria... o que, depois, nem deixa grande margem aos outros para a 'ofensa engraçada' ou 'gracinha cruel', como preferirem chamar-lhe, porque eu sou a primeira a auto-alvejar-me... mas quando o fazem ao meu lado, a alguém de quem gosto, a alguém que eu conheço bem demais para perceber que o sorriso sai forçado e não passa de uma concentração de tensões ao nível labial, sou eu própria a enervar-me com os seus nervos, deixando de conseguir separar o que é brincadeira do que é despropósito...

tudo bem, 'bora lá brincar, mas porque não ao contrário, porque não dizermos que "estás uma Vénus rechonchuda" em vez de "estás uma baleia", por exemplo?... honestidade? terá alguma coisa a ver com isto?... sejamos honestos então, e lembremo-nos de que quando alguém conta alguma coisa engraçada que lhe disseram, por certo não conta nada que o(a) diminua; referir-se-á antes às outras piadas que, não deixando de o ser, o(a) elevam...

sábado, 17 de outubro de 2009

bons modos...

um dia, na brincadeira, disse o outro à amiguita... "achas? ela é esquisitinha... tem que se bater sempre à porta..."
... sorria eu da apreciação que me era justa...



mas o mar não pede autorização para me molhar os pés, nem o luar para cair sobre mim... nem os sentimentos, que não domino, para me invadirem!

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Contradições... (ou nem por isso!) XXXI

16 de Outubro...
Dia Mundial da Alimentação!
17 de Outubro...
Dia Internacional da Erradicação da Pobreza!


Que não seja por acaso...



Nunca entendi... porque é que há coisas que eu vejo, tu vês, nós vemos... só eles é que não vêem?...

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

MSN... ou o que faz o cansaço!...

... às tantas da noite... enquanto se "trabalha"...

V. diz...
jjjjii
era este que queria mandar

eu
manda tudo
que o teu mandar tem graça

V. diz...
que lindo

eu
como o sol

V. diz...
sol que aquece

eu
a alma e os corações

V. diz...
que flutuam à deriva nos planaltos da nossa existência

eu
iluminados por uma estrela que gravita perdida

V. diz...
transbordando sentimentos alheios à escuridão dos dias

eu
brilhando no escuro das existências profundas e etéreas

V. diz...
onde os cuspidores de fogo incendeiam corações desalinhados

eu
(querias dizer escupidores, não era? deixa, que a formação vai-te curar...)
cuspindo fogo, babando corpos, lambuzando vidas

V. diz...
vidas que se enleiam nas correntes revoltas de rios negros

eu
correndo por leitos tumultuosos... e margens altas, íngremes, inóspitas

V. diz...
deixando um simples murmurar de vozes gritantes

eu
que sufocam suspiros e embalam anseios

V. diz...
de vidas sofridas e marcadas pelos dissabores

eu
travos amargos de doçuras passadas

V. diz...
que partiram com o tempo e voaram dos pensamentos

eu
mas voltam com o vento agreste a cada estação gélida

V. diz...
e flutuam no ar como simples flocos de algodão (não sei se isto existe, mas passa a existir)

eu
irreverentes e ignorados… sem poiso certo ou real trajectória

V. diz...
(já nem sei que dizer mais)

eu
lol… estava a ver que nao te calavas

V. diz...
já respondia filosoficamente ao outro, que se está a passar*

eu
imagino lol

V. diz...
mas olha, tu guarda isso

eu
ok
nunca se sabe, não é?

V. diz...
pois
põe no blogue

Ora, sou ou não obediente?... beijos, V. ( e ainda dizes que não és gótica...)

* [upsss. .. se calhar esta parte não era para mostrar ;) ]

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Canções de embalar...


durante a noite, pela janela do meu quarto, entra um cheirinho divino, que vem dos bolinhos acabadinhos de fazer na pastelaria logo abaixo... delicioso!... benditos pasteleiros que banqueteiam sonhos...

durante a noite, no meu quarto, ouve-se Mónica Sintra (ou, provavelmente outra qualquer parecida, mas agora não me lembro de mais nenhum nome...), que vem da música que anima quem trabalha na pastelaria logo abaixo... penoso!... malditos pasteleiros, com gostos musicais daqueles que não se discutem mesmo, banda sonora dos meus pesadelos...

quer-me parecer que, um dia destes, digo, uma noite destas, ainda vou lá cear um bolinho e, como quem não quer a coisa, deixo lá um CDzito esquecido...

se ao menos o tempo arrefecesse e eu conseguisse dormir de janela fechada...

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Hoje sinto-me...



... un cuerpecito que se ha convertio en rio...

"Cómo decir que me parte en mil
las esquinitas de mis huesos,
que han caido los esquemas de mi vida
ahora que todo era perfecto."

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Discurso Directo XVI


Será caso para me preocupar?...*

a mãe - Já vi que gostas muito dessa tua amiga... então e qual é o desequilíbrio dela?
eu - Nenhum!!!
a mãe - Desculpa lá, mas para tu gostares assim tanto dela, algum desequilíbrio deve ter...

(...)

eu - Às vezes gostava de ser um bocadinho menos esquisitinha...
a mana** - Eu já me dava por satisfeita se fosses uma pessoa normal... (no mesmo dia em que o melhor adjectivo que me atribuiu foi cruel...)

* partindo do princípio da veracidade cruel, ou sinceridade letal que nos une àqueles de que mais gostamos e que mais gostam de nós...

** eu não tenho irmãs unidas a mim por laços de sangue... tenho outras a mim unidas por laços muito mais fortes, inquebráveis, porque ninguém os construiu... existem independentemente de tempos ou vontades... sim, a vida foi muito generosa comigo ;)

sábado, 10 de outubro de 2009

Palavras Citadas XIX

Perguntas de Pablo Neruda...

Sofre mais quem espera sempre
Ou quem nunca esperou ninguém?

Onde termina o arco-íris,
Em tua alma ou no horizonte?

Talvez uma estrela invisível
Seja o céu dos suicidas?

Onde estão as vinhas de ferro
De onde cai o meteoro?

Que pensarão do meu chapéu,
daqui a cem anos, os polacos?

Que dirão da minha poesia
os que não tocaram o meu sangue?

Como se mede a espuma
que resvala da cerveja?

O que faz uma mosca encarcerada
num soneto de Petrarca?


... transcritas, aleatoriamente (ou nem por isso!...) do “Livro das Perguntas”, um dos livros mais singulares do poeta, de 1974, o ano da sua morte. Dizia ele que as crianças em si não paravam de se questionar acerca do sentido da vida, tendo daí nascido esta obra... "uma espécie de testamento poético onde o olhar surpreendido do menino convive com o do homem sábio." Um génio...

Tivéssemos nós um pouquinho dessa sabedoria, de ser capazes de escutar as crianças em nós...

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

o tempo... "primeiro estranha-se, depois entranha-se"

Confesso que me custou muito mais da primeira vez... quando a vi ali espetada, em cima da minha cabeça, no meu reflexo no espelho... tive que me agarrar ao lavatório para não desmaiar, ali mesmo, na casa-de-banho... e corri a ligar à minha mãe [que me soube dizer, bem ao seu género, "eu logo vi que, para me estares a ligar a esta hora, tinha que ser por qualquer porcaria..."]. Enfim... não foi uma tarde fácil!...
Pois hoje, foi bem diferente... não estava à espera de a encontrar, mas vê-la ali não me surpreendeu, alva, longa... a esconder-se por entre as melenas escuras, rebeldes... e ao mesmo tempo revelando-se, como que querendo brilhar, mostrando toda a sua brancura, presença e timming... mostrando que veio, que faz parte de mim e que ficará*!...
Tempo é crescimento, idade é um posto e a vida é uma dádiva...



O tempo que a gente perde pela vida a correr
O tempo que a gente sonha que é chegar e vencer
O tempo faz de nós um copo p’ra beber em paz
O tempo é um momento para nunca mais

O tempo mesmo agora fez a terra girar
O tempo sem demora traz as ondas do mar
O tempo que se inventa quando nunca se é capaz
O tempo é um carro novo sem a marcha-atrás

Voei p’ra te dizer
Sonhei p’ra te esquecer
Eu sei não vais parar para eu crescer
Eu sei esperei demais


*[... pelo menos até eu ter tempo e paciência para me sentar horas num cabeleireiro... mas se pintar será novamente de preto... sim, não foi do agrado geral, mas foi do meu ;) ]

terça-feira, 6 de outubro de 2009

sick and tired


Se A tem 1, 2, 3 e 4 para fazer... se B tem 1, 2, 3 e 4 para fazer... se C tem 1, 2, 3 e 4 para fazer... se D tem 1, 2, 3 e 4 para fazer... ora, porque é que A não faz 1, B não faz 2, C não faz 3 e D não faz 4, partilhando depois o trabalho feito, despendendo menos energia e desperdiçando menos tempo?... digo eu, que não percebo nada de gestão... [nem eu nem quem me rodeia, está mais que visto!...]

ao alto

devoções etéreas
a quem não é santa
nem deusa
nem diva
nem sequer exemplo...
são orações ao medo
preces vãs
que geram vis descrenças...

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

1 de Outubro

Dia Mundial da Música


"A música é o vínculo que une a vida do espírito à vida dos sentidos. A melodia é a vida sensível da poesia."
Ludwig Beethoven

Hoje...


Encontraram-se numa esquina da vida, onde confluíam caminhos opostos, transversais ao tempo, povoados de trânsito, com início em praças paralelas…

Falavam a linguagem secreta de quem se conhece sem nunca se ter visto, uma espécie de código que paira por sobre os corpos e enlaça as almas…

Tocavam-se a medo, seguros da fragilidade e preciosidade que envolve as coisas mais valiosas, numa explosão serena, que ameniza ansiedades e derruba muralhas, delas construindo pontes…

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

ao longe o rio


de que vale querer saber
o rio separado do céu
se juntos são bela imagem
se estão unidos já
mesmo antes de estar
mesmo nunca estando

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Será que o Nick Cave leu Mário de Sá-Carneiro?

"Vou-te matar o corpo para dar mais vida à alma... vou-te dar a eternidade... fazer parar o tempo... espera... não grites... não tenhas medo... nem faz doer... nem faz doer... E mesmo que fizesse... É para seres feliz... muito feliz..."

(Mário de Sá-Carneiro, in Loucura...)

Roads...

seguir em frente... aumentar a velocidade, fazendo com que aquilo que nos parece descontínuo, incerto, cortado, possa parecer capaz de ter continuidade... do outro lado a berma, precipício ou prado, queda ou passeio, vida... deixando para trás de quem se precisa, o que se precisa e quem precisa... deixando para trás um pedaço do coração, partido pela força da distância, pela fraqueza dos sonhos e pela impotência das escolhas... mas desta vez, à frente, algo mais do que o caminho sempre igual, entre o ter de ser e o ir vivendo... desta vez, a estrada abre-se à minha frente e vislumbra-se o horizonte, com todas as suas infinitas possibilidades...

domingo, 27 de setembro de 2009

Realmente...

só num país como este faz sentido um ditado como "quanto mais me bates, mais eu gosto de ti"... ou "continuo a gostar de ti", enfim... que fazer a estes masoquistazitos inconscientes?



... chapadas na cara não adiantaria... ainda acabavam por gostar!!!

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Quando se afina a sinfonia que é a vida...

Sabe bem ter-te por perto
Sabe bem tudo tão certo
Sabe bem quando te espero
Sabe bem beber quem quero

Quase que não chegava
A tempo de me deliciar
Quase que não chegava
A horas de te abraçar

Quase que não recebia
A prenda prometida
Quase que não devia
Existir tal companhia

Não me lembras o céu
Nem nada que se pareça
Não me lembras a lua
Nem nada que se escureça

Se um dia me sinto nua
Tomara que a terra estremeça
Que a minha boca na tua
Eu confesso não sai da cabeça

Se um beijo é
quase perfeito
Perdidos num rio sem leito
Que dirá se o tempo nos der
O tempo a que temos direito

Se um dia um anjo fizer
A seta bater-te no peito
Se um dia o diabo quiser
Faremos o crime perfeito

[Miguel A. Majer]

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Contradições... (ou nem por isso!) XXX


por mais forte que seja a personalidade, por mais consistente que seja a maneira de ser... mais maleável se torna às mãos do escultor que bem saiba moldar!


terça-feira, 22 de setembro de 2009

"Já é Outono..."

sussurra o vento, meigamente, aos ouvidos da pequena árvore, tentando consolá-la da perenidade das suas primeiras folhas, envolvendo-a num abraço que afaga e condescende, que percebe e anima...
ele toma as dores da culpa, de a ter deixado assim, despojada... mas sabe que só levando estas, outras poderão nascer e, mesmo que o não fizesse, assim de repente como quem tira um penso rápido, elas acabariam por cair, sozinhas, com o tempo, a mudança, a renovação...
e de cabeça baixa, pelo peso da reprovação lançada pela arvorezinha, ele espera que ela não se conforme, não se pense capaz e suficiente assim nua, sozinha, porque toda a vida é uma história e toda a história precisa de folhas, onde registar os seus anseios, onde desabafar os seus nervos...
e enquanto a pequena seca as lágrimas ao vento, só quando olha para as folhas sopradas e caídas, se apercebe de que nunca as poderia voltar a prender a si; mesmo que o tentasse, nunca o conseguiria de forma natural...
e então os sussurros, aos seus ouvidos, doce sinfonia se tornam!...