- E o que te faz gostar de mim? - Gosto de ti porque não és como eu... tu és forte e feliz! - Eu? (risos, muitos risos...) Tu não estás bem... Eu não sou feliz!... - E que importa isso? Pareces... e isso é que importa!...
... e não posso deixar de concordar, porque haverá alguma coisa melhor do que transmitir alegria e energias boas aos outros? e sim, só posso ser feliz, tenho de sê-lo, porque a vida espera-me...
esconde-se em cantos para onde se varre a poeira que se quer esquecer... e descobre-se em recantos escondidos por móveis gastos, finalmente arredados...
Muitos desses cantos, tantas vezes paralelos, é como se comunicassem entre si, por paredes de pintura suja, impregnadas de nicotina, ou vidraças felizes de janelas airosas... paredes que escondem linguagens, códigos, que lá ficam a pairar, quer seja por sobre as telas graciosas de inspiração artística, ou sobre biblôs herdados de duvidosos bons gostos, pendurados por devoções amarelecidas... E eis que quando, caminhando ao acaso, de uma divisão para outra, dessa casa cujos cantos se julgam tão bem conhecer, se tropeça num tapete que é surpresa, ou num degrau que inesperadamente se esqueceu, mas se revela então de forma poderosa...
E nesse sobressalto volta a ouvir-se bater o coração que se cuidava parado como o relógio ladeado pelos biblôs... e a esse novo ritmo, essa vida que é casa, ganha novas cores, desempoeira-se, como uma fénix renascida das cinzas de uma lareira há muito apagada... E neste ponto, há que saber parar, tirar o lençol que protegia o sofá, sentar e saborear o momento... longamente... enquanto ele durar...
e não é fisicamente, quer dizer, não é só... é cansada cá por dentro, de um vazio que me pesa, de um nada que entudece, de um todo que esvazia... de um sim que é porta fechada e de um não que é enorme vontade... de tudo e de nada!
Porque será que (quase sempre...) aquilo que nós queremos dizer não é o que os outros querem ouvir?
O que é realmente uma pena!... E então, a delicadeza tolda-nos a vontade e quem é que paga? A verdade, pois claro, que acaba distorcida e retorcida!... E não será a falta de verdade, também, uma forma de muito pouca delicadeza?... Enfim...
18 anos... 12.º ano... um colega de turma, amigo, confidente e conselheiro (e são tantos os problemas nestas idades... enfim! sem ironias...), uma pessoa brilhante a todos os níveis, escreveu-me este poema na última folha do caderno (de história...); a folha acompanhou-me na carteira por muitos anos, o poema foi dos poucos que a minha memória decorou... desconhecia o autor... confesso que à partida não concordei totalmente... hoje... 12 anos depois, não posso deixar de dar razão ao poeta, que agora identifico, João Saraiva...
Passo a passo
"Sou alta - diz a Amizade Sou profundo - diz o Amor E lembram bem, na verdade Montanha e Vale ao sol-pôr
E antes que o Sol resvale Ao pélago, onde se banha, Já dorme em sombras o Vale E ainda há sol na Montanha!"
...porque nada vale mais do que um amigo verdadeiro!!! essa é a única forma de amor que podemos velar para que nunca acabe, e devemos, ao passo que os outros amores, os outros não dependem só de nós, nem de vontades.... a amizade é dádiva, o amor é exigência!
“Porque sou tão infeliz? Porque sou o que não devo ser. Porque metade de mim não está irmanada com a outra metade. A conquista de uma é a derrota da outra.”
Fernando Pessoa, pois quem mais?... e o pior de tudo é que ele está certíssimo, sempre... dualidades intrínsecas, que entram em conflito, querer o que não se tem, só enquanto não se tem, quer ir para onde não se vai e querer de lá fugir assim que se aterra... enfim!...
que eu aguardava pelo dia de hoje... o início de uns dias de descanso... só não desconfiava que eles ficassem cheios de coisas para fazer, assim de repente... enfim! Semanas complicaditas... mesmo!
... aquela história da borboleta que bate as asas no Japão e despoleta um tornado não sei onde...
(eu disse que entendia, não disse que conhecia bem, nem me apetece googlar agora - tenho coisas melhores para fazer... enfim!)
... quer dizer, pelo menos penso que entendo... é que às vezes não pensamos nas reacções que as nossas palavras ou gestos podem provocar nos outros... mas não tenhamos a ilusão de que o que se diz, por vezes simplesmente por dizer, não faz mossa, não tem reflexos, não fica registado...
... ai fica, é posto na conta e mais cedo ou mais tarde apresentam-nos a factura... com iva incluído!
ver alguém de quem gostamos em baixo... custa tanto sentir alguém de quem gostamos carregar aos ombros pesos que não suporta... mas custa ainda mais disponibilizar os ombros, os braços, e sentir que não aceitam, mesmo que fosse só para ajudar um bocadinho... sentirmo-nos inúteis, rejeitados, postos de lado, tão down quanto a outra parte e, pior, sentirmo-nos responsáveis por não ter sido capazes de mostrar ao outro o que é estar aberto a dividir com ele as dores... e culpados de toda a nossa inutilidade enquanto amigos...
espectacular... adorei muito mais do que pensava poder adorar... Tipo "compro bilhetes p'os AC/DC?" isto em Fevereiro, e eu digo "'tá bem..." mas pensando "os tipos estão velhos, e sempre são um marco... se não os vir agora, talvez nunca mais tenha oportunidade..." e lá se desembolsam os euros... Bem gastos, mesmo a sério... Qual velhos, qual quê?... Se eu fizesse um décimo do que o Angus Young fez ontem naquele palco, estava sem me levantar pelo menos um mês... imparáveis, incomparáveis, deram um concerto fantástico, que fez vibrar, saltar, cantar, gritar e eu diria até emocionar, um estádio a abarrotar de fãs, de todas as idades (dos oito aos oitenta, mas mesmo, e tenho provas que o documentam :), quase todos vestidos a rigor... houve alturas em que até temi pela segurança da bancada, que abanava ao ritmo dos pulos incendiados pelos acordes... Erotismo, loucura, badaladas, disparos de canhão, pirotecnia e muito mais itens de uma lista encabeçada por (muito boa) música... foram os tópicos da minha noite de quarta... Fica a minha favorita deles... que ontem ouvi enquanto assistia a um streap tease, não muito teasing, mas valente, do Angus... enfim: FABULOSO!!!
que tenho de falar nisto... fantástico! É fantástico ter amigas, lindas, de coração aberto, de olhos abertos, de braços abertos para a vida, com vidas bonitas, ricas, que me entendem, que estão lá para mim, que me dizem o que preciso de ouvir, que não se coíbem de pôr no meu lugar, que me aceitam, me escutam, me tomam nos braços e me guardam no coração... ai, às vezes nem sei se mereço esta dádiva, a melhor que o mundo nos pode dar, a dádiva do amor pelos outros e do amor dos outros! Love you all...
"I believe in being strong when everything seems to be going wrong. I believe that happy girls are the prettiest girls. I believe that tomorrow is another day, and I believe in miracles."
"... uma sinfonia desafinada, um perfume forte e semente de papoula com mel da Sardenha, porque os pratos podiam ser servidos sem tais acompanhamentos, ..."
[Aristóteles, in A Poética Clássica]
Quando surgiram, nos anos 70, os seus enooooooormes olhos transmutáveis assustaram as crianças... As originais Blythe Kenner ficaram então esquecidas ou nas mãos de alguns coleccionadores. Na década de 90, Gina Garan, produtora de TV e cinema, após ter comprado uma destas bonecas no Ebay, começou a costurar-lhe roupinhas e a fotografá-la, em vários cantinhos do mundo. Daí até se ter tornado a boneca da moda no Japão, foi um nada... Hoje em dia há coleccionadoras em todo o mundo, maioritariamente mulheres adultas, mães de família, profissionais bem sucedidas, que promovem encontros e, no fundo, transformam a(s) sua(s) Blythe no seu alter ego...